Escolher o regime tributário adequado é uma das decisões mais estratégicas para empresas varejistas, atacadistas e lojas de diferentes segmentos.
Entre as alternativas disponíveis, o Simples Nacional para comércio costuma ser visto como um caminho mais leve de tributação, com menos burocracia e alíquotas iniciais atrativas. Mas será que ele realmente é a melhor opção em todos os casos?
A seguir, você encontrará uma análise completa, técnica e atualizada sobre como funciona o Simples Nacional, quais são as vantagens, limitações, faixas de tributação, quando vale a pena e quando outros regimes podem gerar economia maior.
O que é o Simples Nacional para comércio
O Simples Nacional para comércio é um regime simplificado de arrecadação que reúne diversos tributos (federais, estaduais e municipais) em uma única guia: o DAS.
Ele foi criado para facilitar a rotina fiscal de microempresas e empresas de pequeno porte, reduzindo obrigações acessórias e unificando pagamentos.
Para o setor comercial, esse regime enquadra empresas que atuam na venda de produtos físicos — lojas físicas, e-commerce, atacadistas, distribuidoras e estabelecimentos com faturamento de até R$ 4,8 milhões ao ano.

Como funciona a tributação no Simples Nacional para comércio
A tributação do Simples Nacional para comércio é definida pelo Anexo I, que apresenta alíquotas progressivas conforme o faturamento acumulado dos últimos 12 meses.
As alíquotas iniciais costumam ser competitivas, mas podem aumentar conforme a empresa cresce.
Tabela ilustrativa do Anexo I – Simples Nacional para Comércio
A tabela abaixo resume as faixas de receita e alíquotas aplicadas ao comércio:
| Faixa | Receita Bruta 12 meses | Alíquota Inicial | Parcela a Deduzir |
| 1 | Até R$ 180.000 | 4,00% | R$ 0 |
| 2 | De R$ 180.000,01 a R$ 360.000 | 7,30% | R$ 5.940 |
| 3 | De R$ 360.000,01 a R$ 720.000 | 9,50% | R$ 13.860 |
| 4 | De R$ 720.000,01 a R$ 1.800.000 | 10,70% | R$ 22.500 |
| 5 | De R$ 1.800.000,01 a R$ 3.600.000 | 14,30% | R$ 87.300 |
| 6 | De R$ 3.600.000,01 a R$ 4.800.000 | 19,00% | R$ 378.000 |
Observação: valores podem ser atualizados por legislação complementar. Consulte sempre seu contador.
Benefícios do Simples Nacional para comércio
Menos burocracia e mais agilidade
O primeiro benefício para quem escolhe o Simples Nacional para comércio é a simplificação operacional. Em vez de lidar com várias guias e cálculos complexos, a empresa paga apenas o DAS. Isso reduz tempo, erros e retrabalho.
Custos mais previsíveis
O regime oferece previsibilidade, pois a alíquota é definida conforme o faturamento. Isso facilita o planejamento financeiro e evita surpresas ao longo do ano.
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Possibilidade de competitividade no preço final
O comércio é altamente sensível a preço. Quando o Simples Nacional para comércio proporciona uma carga tributária menor, o empresário pode repassar parte da economia para o cliente, aumentando a competitividade.
Limitações do Simples Nacional para comércio
Apesar de suas vantagens, o regime nem sempre é o mais econômico para todas as empresas. A análise deve considerar:
Limite de faturamento anual
Empresas com forte crescimento podem ultrapassar o limite de R$ 4,8 milhões e, com isso, serem obrigadas a migrar para outro regime. Essa transição precisa ser planejada.
Substituição Tributária (ST)
Produtos sujeitos à ST podem gerar aumento significativo na carga tributária. Empresas comerciais que vendem itens com ICMS-ST devem avaliar com atenção.
Créditos de ICMS inexistentes
No Simples Nacional para comércio, a empresa não aproveita créditos de ICMS na compra de mercadorias. Para atacadistas e distribuidores, isso pode representar perda de competitividade em relação a concorrentes tributados pelo Lucro Real ou Presumido.
Margem de lucro reduzida
Se o lucro líquido for pequeno, mas o faturamento for alto, o regime pode ficar mais oneroso, já que a tributação considera receita, não lucratividade.
Quando o Simples Nacional para comércio vale realmente a pena
Empresas que estão começando
Microempresas com faturamento inicial tendem a pagar menos imposto e lidar com menos burocracia.
Lojas de varejo com margens moderadas
O varejo tradicional com boa rotatividade e margem saudável costuma se beneficiar do regime.
Negócios digitais em expansão controlada
E-commerces que ainda não atingiram volumes altos de vendas podem aproveitar a simplificação fiscal.
Quando outro regime pode ser melhor
Lucro Presumido como alternativa
O Lucro Presumido pode ser mais vantajoso quando:
- A margem de lucro é alta.
- A empresa comercializa produtos com ICMS-ST.
- O faturamento está próximo ao limite do Simples.
- Existe necessidade de aproveitar créditos de ICMS na compra de mercadorias.
Lucro Real em cenários específicos
O Lucro Real funciona bem para empresas que:
- Têm margem baixa e precisam tributar sobre lucro efetivo.
- Atuam como distribuidoras ou atacadistas com grande volume de compras.
- Buscam recuperar créditos de impostos.
Comparativo rápido: Simples Nacional x Lucro Presumido x Lucro Real
| Regime | Melhor para | Ponto de atenção |
| Simples Nacional | Pequenos comércios, varejo, lojas iniciantes | Substituição Tributária e limite de R$ 4,8 milhões |
| Lucro Presumido | Comerciantes com boa margem e vendas recorrentes | Pode ter carga tributária maior com faturamento baixo |
| Lucro Real | Empresas com margem apertada ou grande volume de compras | Exige controles mais rigorosos |
Como saber, na prática, se o Simples Nacional para comércio é ideal?
Uma análise completa deve considerar:
- Ticket médio.
- Margem real de lucro.
- Volume de compras.
- Produtos sujeitos à Substituição Tributária.
- Projeção de crescimento para 12 meses.
- Custo operacional versus carga tributária em cada regime.
Essa avaliação exige cálculos comparativos e simulações, especialmente quando o negócio está em expansão.
A importância de um acompanhamento contábil especializado
Contar com especialistas faz diferença. Um bom contador não apenas calcula impostos: ele identifica oportunidades de economia, analisa se o Simples Nacional para comércio continua sendo o modelo ideal e orienta ajustes no enquadramento tributário.
Empresas comercialmente ativas passam por mudanças constantes — aumento de vendas, inclusão de novos produtos, ampliação de estoque e novos fornecedores.
Tudo isso impacta o regime tributário e precisa ser monitorado.
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